55 anos do Furacão da Europa
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55 anos do Furacão da Europa

Em 1964, o Tricolor regressou de excursão à Europa invicto

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por Gazeta Esportiva Ilustrada - A equipe do São Paulo perfilada para o confronto contra a Seleção do Norte da França: De Sordi, Bellini, Jurandyr, Riberto, Suly e Sudaco. Abaixados: Faustino, Del Vecchio, Benê, Bazzaninho e Valdir Birigüi

Um feito inédito e jamais repetido na história do São Paulo. Foram 12 partidas invictas na excursão realizada à Europa em 1964, um sucesso repentino e inesperado. O recorde obtido há 50 anos rendeu ao Tricolor o apelido de "Furacão da Europa".



O elenco do São Paulo passava por renovações. Em meio as obras da construção do Estádio do Morumbi, e com dinheiro escasso, o Tricolor apostava em contratações do interior, como Marco Antônio, do Comercial de Ribeirão Preto, Sudaco, do Batatais e Valdir Birigüi, do Bandeirante, ou em jogadores mais veteranos, como Del Vecchio e Bellini.



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Assim, somente 18 jogadores foram relacionados para a excursão. O principal craque do time, Roberto Dias, não tomou parte na viagem pois estava ao serviço da Seleção Brasileira na Copa das Nações (torneio contra Inglaterra, Argentina e Portugal).

A delegação partiu para o velho continente no dia 6 de maio e, após a primeira partida na cidade de Praga, na então Tchecoslováquia, o São Paulo ainda fez uma partida oficial no Brasil, pelo Torneio Rio-São Paulo, com um misto de time reserva e aspirante que empatou em 3 a 3 com o Fluminense.

Após a última partida contra o Milan, no dia 24 de junho e 12 jogos sem perder, com 9 vitórias e somente 3 empates, o Tricolor voltou ao Brasil no dia 27 de junho e foi recebido no aeroporto de Viracopos, em Campinas, por uma multidão de torcedores que escoltaram a comitiva até a sede do São Paulo.

AS VIAGENS

Orlando Duarte, então repórter de A Gazeta Esportiva, acompanhou o Tricolor na viagem e, dentre vários relatos, contabilizou também todo o itinerário da delegação (ver foto acima). Ao todo, foram mais de 54 horas dentro de ônibus, outras 40 horas em aviões e mais 35 horas sobre trilhos, em trens.

Não bastasse a odisseia do deslocamento de uma cidade a outra, havia também os imprevistos. Em uma viagem de ônibus, após deixar a fronteira alemã para trás, em direção à Bélgica, o veículo quebrou pouco depois da cidade de Liège.

Na espera, enquanto o motorista tentava inutilmente arrumar a condução, Leal comentava: "Deixei o Noroeste para não viajar mais de ônibus e eis-me aqui, no interior da Bélgica, parado com os mesmos problemas que tinha em Bauru! " Todos caíram na risada.

Após quatro horas parados para reparos, a comitiva seguiu jornada.

OS "CAUSOS"

Quando os são-paulinos se encontravam na cidade de Colônia, na Alemanha Ocidental, alguns se divertiam no minigolfe local, e outros, como Jurandir, reclamavam do preço abusivo dos produtos e serviços europeus: "Onde é que se viu cobrar 2 francos (600 cruzeiros) por um banho! Êta gente suja...". Esse era o preço da ducha no Hotel Moderno Palace, em Paris.

Bellini, um dos mais experientes do elenco, disse ao administrador do clube Mário Naddeo que não pagaria aquela fortuna por um mísero banho e que se o clube o quisesse limpo, que se virasse e pagasse o valor, caso contrário, teria que aguentá-lo sujo mesmo...

A descontração e o bom humor reinavam entre os jogadores. Eles não perdiam a chance de se divertir às custas dos novatos interioranos Valdir e Sudaco, que tinham forte sotaque caipira. Quando um carro "fechou" o ônibus da turma, em Paris, caíram na gargalhada ao ouvirem o Birigüi xingar aos gritos o europeu: "Não enxerga, véio paiaço? ".

Sudaco, contudo, era a vítima preferida. Em um jantar o qual foram servidas ostras, o rapaz inexperiente e desconhecedor dessas comidas chiques foi pego desprevenido. Ao lhe perguntarem se o prato estava bom, respondeu: "Comi apenas uma, pois estava duro demais, quase quebrei um dente! ".

Mas ser o alvo das brincadeiras também rendia frutos. Como presente do embaixador brasileiro em Bruxelas, Valdir, Leal e Sudaco puderam passear em um moderno carro inglês. Sudaco não resistiu: "Estou numa fase incrível, vim de Batatais para a Europa e estou andando em um Jaguar do Embaixador. Isso é demais! ".

A CAMISA DA FIORENTINA

Outra situação peculiar que aconteceu nessa excursão foi que, no dia da final do Torneio da Cidade de Florença, em que o São Paulo enfrentaria o Zenith, da então União Soviética.

A delegação são-paulina estava hospedada em um hotel na margem do rio Arno, oposta à qual se encontrava o estádio Comunale Artemio Franchi. Após partir rumo ao estádio, choveu muito e o rio transbordou. Nisso, o roupeiro Ferrari percebeu que havia esquecido os uniformes no hotel. Naquela situação não seria mais possível buscá-los.

A Fiorentina, então, fez o favor de emprestar seus jogos de camisa para a equipe Tricolor. No final, o São Paulo foi campeão: São Paulo 1 X 0 Zenith Leningrad, gol de Valdir Birigüi. Uma das camisas utilizadas pelo Tricolor naquela ocasião é um item de coleção raríssimo de Vírgilio, volante do time. O ex-jogador guarda, até hoje, a camisa 5 que vestiu naquele dia (ver foto acima).

CONTUSÕES, DESFALQUES E EMPRÉSTIMOS

Nem tudo foi alegria na excursão, todavia. Na quinta partida do Tricolor, contra o Nîmes, na França, o meio-campista Benê sofreu uma séria contusão que o impossibilitou de jogar o restante da excursão.

Em um lance em que tabelou com Marco Antônio, Benê foi duramente atingido na perna direita pelo zagueiro da equipe francesa. No hospital foi constatado que o atleta havia fraturado o perônio. O jogador deixou a delegação e voltou ao Brasil, em 30 de maio.



O desgaste das viagens e dos jogos, além de contusões pontuais, foi minando o elenco são-paulino, a ponto de, em Milão, o São Paulo ter necessidade de pedir emprestado dois jogadores para alinhar 11 em campo. Zezé, do Madureira (que também excursionava na Itália), e o tcheco František Šafránek, do Dukla, foram cedidos gentil e temporariamente para o jogo contra o Milan.

Apesar dos pesares, o São Paulo novamente bateu o adversário, por 1 a 0, gol de Leal, e terminou sua incrível jornada no velho mundo, permanecendo invicto. Fato que seria digno da famosa Fita Azul (mas nem a "A Gazeta Esportiva", nem a CBD, promoviam a premiação, na época).



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Comentários (5)

24/06/2019 16:29:17 Fernando Almeida

Só essa história do banho ja mostra que jogaram por amor ao clube... Hoje jogadores tem tudo e só reclamam. Mercenários.

24/06/2019 14:19:11 Aluizio Addor

Ganhavam pouco salário e jogavam muitoutebol, hoje é o contrário, ganham muito salário e jogam pouquíssimo futebol.

24/06/2019 13:56:10 Silvio Lima

Viver de nostalgia apenas, é complicado...

24/06/2019 13:10:55 Jose Feitosa

Vou ter que comprar uma lupa pra ver os nomes dos jogadores que participaram dessa excursão.

24/06/2019 12:59:40 Leonardo Teixeira Araujo

os jogadores de hoje tem toda modomia e nao joga nada

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